Vacina contra Dengue: Infectologista tira dúvidas sobre a eficácia da imunização

Atualmente, muitos estados no Brasil enfrentam uma epidemia de dengue. Em janeiro, o país registrou 243.721 casos, segundo o Painel de Monitoramento de Casos de Arboviroses do Ministério da Saúde. 

O número é 273% maior do que o registrado durante o mesmo período em 2023 (65.366 casos). 

O combate à doença deve ser feito tanto no coletivo, quanto individualmente, sendo o principal meio de barrar grandes epidemias de dengue ainda é o combate à proliferação do mosquito Aedes aegypti. No entanto, a chegada da vacina traz mais esperança de proteção à população. 

Segundo informações disponibilizadas pelo Ministério da Saúde, o imunizante Qdenga, registrado na ANVISA há um ano, tem eficácia global de 80,2% e passa a proteger o indivíduo após a aplicação da segunda dose.

A infectologista do São Cristóvão Saúde, Dra. Michelle Zicker, explica que a vacina é tetravalente, conferindo proteção contra os quatro diferentes sorotipos do vírus causador da doença. 

“A dose é composta de vírus vivo atenuado e apenas o sorotipo 2 do vírus foi usado na composição do imunizante. Utilizou-se a tecnologia do DNA recombinante, em que genes dos sorotipos 1, 3 e 4 foram usados para modificar geneticamente o tipo 2. Dessa forma, o imunizante estimula o organismo a produzir anticorpos específicos para cada um dos tipos de vírus da dengue”, explicou ela.

A vacina da Dengue entrou para o Calendário de Vacinação Nacional este ano, mas segue com baixa adesão do público-alvo, que já pode receber as doses. Para estimular a busca pela vacina, a especialista explica algumas das algumas das principais dúvidas da população.

Quem pode receber a vacina da dengue?

De acordo com a infectologista, a vacina é indicada para a proteção contra o vírus da dengue em indivíduos de 4 a 60 anos de idade, independentemente de infecção prévia. 

“Após uma infecção pelo vírus da dengue, recomenda-se um intervalo de 6 meses para a administração da vacina, mesmo que essa contaminação tenha acontecido após a primeira dose”, destacou Michelle. 

Nesse caso, o intervalo maior entre as doses não atrapalha no processo de imunização e não há a necessidade de reiniciar o processo.

Atualmente, a vacina está sendo aplicada em indivíduos na faixa etária de 10 a 14 anos, que residem em localidades prioritárias, com critérios definidos a partir do cenário epidemiológico da doença no país. 

Contraindicações, reações adversas e doses de reforço

Ainda de acordo com a especialista, crianças menores de 4 anos e adultos com mais de 60 anos, gestantes e lactantes, pessoas com hipersensibilidade aos componentes da vacina ou a uma dose anterior, com imunodeficiência congênita ou adquirida e com infecção pelo HIV sintomática ou assintomática, quando houver evidência de imunossupressão, não podem receber a vacina. 

“As reações adversas não são muito comuns após a aplicação da vacina, mas, após a primeira dose, pode acontecer casos de dor de cabeça, dor no corpo, cansaço, perda de apetite, sonolência e febre, além de dor no local da aplicação”, relatou ela.

Mesmo com a imunização, o trabalho de combate à proliferação dos mosquitos Aedes aegypti precisa ser feito rigorosamente, só assim há um controle real da doença. O Ministério da saúde recomenda as seguintes medidas:

Manter os reservatórios e qualquer local que possa acumular água totalmente cobertos com telas/capas/tampas, impedindo a postura de ovos do mosquito Aedes aegypti;
Proteção contra picadas de mosquito, principalmente ao longo do dia, pois o Aedes aegypti é mais ativo durante o dia;
Proteção das áreas do corpo mais expostas, com o uso de calças e camisas de mangas longas;
Uso de repelentes;
A utilização de mosquiteiros sobre a cama, uso de telas em portas e janelas, além de manter o ambiente limpo e arejado.

Atualmente, não há dados que indiquem a necessidade de doses de reforço e os estudos continuam em andamento para responder a essa questão. Para este ano, são cerca de 6,5 milhões de doses a serem aplicadas, segundo o plano de imunização do Ministério da Saúde. 

“Uma pequena parcela da população estará imunizada e, dessa forma, o trabalho de combate à proliferação dos mosquitos Aedes aegypti precisa ser feito rigorosamente, para o controle da doença”, concluiu Dra. Zicker.

Sobre o Grupo São Cristóvão Saúde

Administrado pela Associação de Beneficência e Filantropia São Cristóvão, o Grupo São Cristóvão Saúde possui 10 Unidades de Negócio, que englobam: Hospital e Maternidade, Plano de Saúde, Centros Ambulatoriais, Centro Cardiológico, Centro Laboratorial (CLAV), Centro Endogástrico (CEGAV), Centro de Atenção Integral à Saúde (CAIS I e II), Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP Dona Cica) e Filantropia. Referência em saúde, na cidade de São Paulo, a Instituição completou 112 anos em dezembro de 2023. O Grupo promove uma grande modernização e expansão em sua estrutura física e tecnológica, investindo em equipamentos, certificações e profissionais qualificados. Atualmente, o complexo hospitalar conta com 309 leitos, além de oito Centros Ambulatoriais, que realizam milhares de consultas, proporcionando qualidade assistencial às mais de 160 mil vidas do Plano de Saúde e 23 mil vidas do Plano Odontológico. 

O Grupo São Cristóvão Saúde tem como Presidente/ CEO o Engº Valdir Pereira Ventura, responsável pelas Unidades de Negócio e, desde 2007, atuando à frente das decisões Institucionais. 

 

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