O ataque do Irã e o Guarda de Israel

Na noite do dia 13 de abril, o mundo acompanhou perplexo o ataque maciço de cerca de 350 drones, mísseis de cruzeiro e mísseis balísticos lançados do Irã, bem como de territórios controlados por grupos terroristas por ele apoiados, contra Israel. Órgãos de inteligência norte-americanos e israelenses já vinham acompanhando a ameaça iraniana com grande probabilidade de se concretizar na primeira quinzena de abril, o que fez com que as Forças de Defesa de Israel (FDI) ficassem em alerta máximo.

Tão logo o porta-voz das FDI disseminou o alarme no dia 13, milhares de judeus e cristãos no mundo inteiro começaram a orar imediatamente por proteção sobre a terra de Israel (Eretz Israel). Embora o sistema de defesa antimíssil israelense seja um dos mais avançados do mundo, havia o risco de sobrecarga pela quantidade de mísseis e drones lançados, o que poderia comprometer a defesa aeroespacial. Isso gerou ansiedade e temor na população de norte a sul do país que passou a noite em claro, ocupando abrigos para se refugiar.

Felizmente, nenhum míssil ou drone iraniano atingiu o território israelense. Praticamente todos foram interceptados, enquanto outros caíram durante a trajetória. Houve apenas uma menina árabe do Neguev ferida por estilhaços da queda de um dos mísseis interceptados pelo sistema Domo de Ferro. O alívio só foi completo quando o último drone inimigo foi abatido.

Além do sistema antimíssil do qual faz parte o famoso Domo de Ferro, contribuíram para a defesa do território as aeronaves da Força Aérea israelense, além das forças militares na região compostas por aliados como Estados Unidos, Reino Unido e França. Até mesmo a Jordânia, país árabe vizinho, lançou aeronaves para destruir drones que tinham como alvo o território israelense, o que surpreendeu os judeus.

O Príncipe da Pérsia se levanta

No dia seguinte, canais de comunicação do mundo inteiro noticiaram sobre a eficiência do sistema de defesa aeroespacial israelense e das forças aliadas, exaltando sua prontidão e capacidade de lidar com centenas de ameaças de uma só vez para as destruir. Poucos se deram conta, no entanto, do verdadeiro milagre ocorrido. O fato de ninguém da população ter sido morto diante de um ataque dessa magnitude fala por si. O sistema de defesa funcionou perfeitamente, as forças aliadas estavam alertas e posicionadas, respondendo prontamente, e vários mísseis e drones caíram no percurso, além de uma ajuda inesperada da Jordânia.

Tudo pareceu naturalmente humano e normal, com destaque para a excelência tecnológica e a competência das forças militares envolvidas. Ainda assim, tratou-se de um milagre, meticulosamente dirigido e orquestrado pelos céus, usando-se homens e suas armas. No entanto, se ocorresse um único evento contrário, uma sobrecarga no sistema, por mais breve que fosse, ou um erro de um piloto, por exemplo, o resultado poderia ter sido bem diferente. Esse tipo de milagre dentro da normalidade humana ocorreu algumas vezes na história do povo judeu.

Um bom exemplo está na história de Purim, no livro de Ester. Este é um dos livros mais misteriosos da Bíblia, repleto de enigmas. Um deles está na ausência do nome de Deus. Não obstante seu nome não aparecer em seus versículos, pode-se ver sua mão invisível controlando seus personagens e todos os acontecimentos que culminaram com o livramento milagroso do povo judeu, bem como da sentença de morte revertida contra seus inimigos. Ali, o arqui-inimigo dos judeus está personificado na figura de Hamã.

Há, porém, um inimigo ainda maior, escondido por trás dele. Trata-se de uma entidade espiritual das trevas que domina sobre a Pérsia. Ela nos é revelada nas páginas do livro de Daniel, através das palavras do anjo Gabriel (Dn. 10) que o chama de príncipe da Pérsia, com quem terá de pelejar após entregar a mensagem de Deus ao profeta.

Esse é o principado que dominava de fato o império persa e contra quem realmente se dá a peleja no plano espiritual, conforme afirma o apóstolo Paulo (Ef. 6:12). Ele se levantou para destruir o povo de Israel no exílio, usando Hamã, mas foi envergonhado pelo Senhor que livrou Israel e entregou todos os inimigos nas mãos dos judeus. A história de Ester parece seguir uma sequência normal de eventos como em qualquer outra história, mas o timing e a precisão desses eventos a tornam um milagre único.

A Pérsia antiga é o atual Irã e seu principado continua sendo o mesmo príncipe da Pérsia denunciado por Gabriel a Daniel. Isso explica o ódio do atual regime iraniano contra Israel e seu povo, bem como as alianças com grupos terroristas para tentar “varrer Israel do mapa”. O que vimos no dia 13 foi um novo levante do príncipe da Pérsia em sua incansável obsessão de querer eliminar o povo judeu.

O Guarda de Israel não dorme

Assim como a história de Ester seguiu uma sequência normal de eventos, o ataque do Irã e o subsequente livramento de Israel seguiu também uma sequência normal. Isso não elimina o fato, porém, de que, em ambas as situações, operou-se um milagre. Nos dois casos, o alvo era matar judeus em massa. No entanto, nenhum só judeu foi morto, a despeito de todo esforço inimigo, tanto em Purim, quanto no último dia 13 — um verdadeiro milagre. Aliás, a Festa de Purim foi celebrada há apenas vinte dias antes do ataque do Irã. Mera coincidência?

Por mais que analistas do mundo inteiro vejam apenas tecnologia, prontidão militar e competência no sucesso contra o vil ataque iraniano, isso não muda o fato de que “um grande milagre ocorreu ali” para usar as mesmas palavras que consagraram a Revolta dos Macabeus. Foi o cumprimento literal de Isaías 54:17: “toda arma forjada contra ti não prosperará”. Em sua compulsão de aniquilar Israel há milênios, seus inimigos, especialmente o príncipe da Pérsia, esquecem que o Guarda de Israel não somente vive, mas não dorme nem cochila (Salmo 121:4). 

 

Getúlio Cidade é escritor, tradutor e hebraísta, autor do livro A Oliveira Natural: As Raízes Judaicas do Cristianismo e do blog www.aoliveiranatural.com.br.

* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

 

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