Enchentes que causam nojo e solidariedade

Dois rios deixaram expostas as escolhas de cada um. De um lado, Rio Grande do Sul. Do outro, Rio de Janeiro. De um lado um povo sofrendo e morrendo nas águas que estão engolindo cidades, bens, pessoas, sonhos. Do outro lado, um milhão de pessoas em Copacabana para ver, celebrar e até idolatrar uma pop star.

Deprimente. Triste. Desalentador. Retratos de um Brasil cheio de cinismos como de um telejornal que, ao dar seu “boa noite”, seus apresentadores dão sorrisos para as câmeras a fim de promover a transmissão do dito show, enquanto não esboça nenhuma expressão de respeito e luto pelas vidas que as águas do sul estão levando.

As imagens que chegam do Rio Grande são chocantes. Impressionam pelo volume e destruição que as enchentes estão causando. As imagens que chegam do Rio de Janeiro causam nojo pela apologia de tudo que é frontalmente contra os princípios e valores cristãos, e tudo exibido para jovens, crianças e quem mais quiser ver.

Para o Rio Grande doações, ajudas, cooperação, enfrentamento. Cidades inteiras precisarão de reconstrução. Para o Rio de Janeiro, patrocínios, mídia, políticos e celebridades promovendo e incentivando. Na imprensa foi noticiado que custou algo em torno de sessenta milhões o tal show. Pensa, duas horas de show regado a promiscuidade, libertinagem, ocultismo, tudo em doses cavalares, humilhando e degenerando toda uma geração.

No Rio Grande, a tragédia de uma enchente catastrófica destruindo tudo e todos que encontra no caminho. No Rio de Janeiro, a decadência de uma enchente de imoralidades com patrocínio, cobertura especial, divulgação insistente, incentivo e aprovação por parte de inúmeros formadores de opinião. Entende por que uma enchente provoca solidariedade enquanto a outra produz nojo?

E antes que alguém diga que “só” foi no Rio de Janeiro, preciso frisar, não foi “só”. No mundo inteiro existem patrocinadores, instituições, todos seguindo uma agenda recheada de estratégias, pessoas e meios para desconstruir todos os valores que nos trouxeram até aqui como sociedade, é mais que uma enchente localizada, trata-se de um dilúvio de imoralidades com alcance mundial.

Sobre o show do Rio de Janeiro, zero surpresa, ou você esperava outra coisa? O desapontamento fica por conta daqueles que seguem a Cristo, mas dão palco para as aberrações de Copacabana, dão audiência, minimizam tudo com as falácias de sempre, “é arte”, “é amor”, “viva a liberdade”, enfim, “boas desculpas” e só. E de desculpa em desculpa esta geração vai se afogando em suas próprias enchentes.

Mas há esperança. Pensando nos dois Rios, o “Grande do Sul” e o “de Janeiro”, lembrei de um louvor que marcou nossa geração pouco tempo atrás. No Brasil inteiro as igrejas cantavam, Águas Purificadoras, do Diante do Trono, para você relembrar, transcrevo abaixo, preste atenção na letra:

Existe um rio, Senhor

Que flui do Teu grande amor

Águas que correm do trono

Águas que curam, que limpam

Por onde o rio passar

Tudo vai transformar

Pois leva a vida do próprio Deus

E este rio está neste lugar

Quero beber do Teu rio, Senhor

Sacia a minha sede

Lava o meu interior

Eu quero fluir em Tuas águas

Eu quero beber da Tua fonte

Fonte de águas vivas

Tu és a fonte, Senhor

Tu és o rio, Senhor

Tu és a fonte, Senhor

Sim, existe um rio, Senhor! E porque existe, eu fico com a solidariedade, crendo que as Tuas águas poderão salvar o povo do Rio Grande através de cada coração e mão que são estendidos. Assim como também creio que as Tuas águas poderão salvar a muitos que estão cegamente se afogando – e tragicamente não percebem e não sabem que estão – nas águas nojentas carregadas de pecados. Sim, por onde o Teu rio passar, tudo vai transformar.

 

Edmilson Ferreira Mendes é escritor, pastor, teólogo, observador da vida.

* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

 

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