Ricardo Couto promove cortes em secretarias atingidas por operações da Polícia Federal; Fazenda e Agricultura concentram maior número de dispensas
O governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, determinou a exoneração de mais de 100 servidores lotados nas secretarias estaduais da Fazenda e da Agricultura, ambas alvo recente de operações da Polícia Federal. A informação foi publicada em primeira mão pelo jornal O Globo.
Ao todo, o Diário Oficial do estado trouxe nesta semana cerca de 200 exonerações distribuídas em 19 órgãos da administração estadual. Além das duas pastas atingidas pelas investigações federais, a Secretaria de Saúde registrou 52 desligamentos. Também houve dispensas em órgãos como Detran e Procon.
Segundo o governo estadual, as exonerações fazem parte de uma “auditoria na gestão das secretarias de Estado e das entidades integrantes da administração indireta estadual”. Em nota, a Secretaria de Fazenda afirmou que realiza uma “profunda reestruturação da Receita Estadual”.
A movimentação ocorre poucos dias após duas operações da Polícia Federal atingirem o núcleo da administração fluminense. Na terça-feira (12), a Secretaria de Agricultura foi alvo da operação Castratio, que apura suspeitas de fraude em licitações e contratos firmados entre o governo do estado e uma empresa privada.
Já na sexta-feira (15), a PF deflagrou a operação Sem Refino, mirando a Secretaria de Fazenda. Em documento enviado ao Supremo Tribunal Federal, investigadores afirmaram que a pasta teria funcionado como “extensão da estrutura empresarial do Grupo Refit”.
Somente na Fazenda, Couto exonerou 23 auditores fiscais. Também deixaram os cargos um subsecretário adjunto e o presidente da Junta de Revisão Fiscal, órgão responsável pelo contencioso tributário em primeira instância administrativa no estado.
Desde que assumiu interinamente o governo do Rio, após a saída de Cláudio Castro (PL), Ricardo Couto intensificou a revisão de cargos na estrutura estadual. Dados oficiais apontam que, entre 23 de março e o último dia 29, foram 1.419 exonerações — média de 39 dispensas por dia.
Nos bastidores do Palácio Guanabara, a ofensiva administrativa é interpretada como uma tentativa de reorganizar áreas estratégicas do governo diante do avanço das investigações federais e do desgaste político provocado pelas operações da PF.




