Ruas tenta assumir governo do Rio, mas STF mantém desembargador no comando

Presidente da Alerj aciona Supremo após entrar na linha sucessória, mas decisão reforça permanência de Ricardo Couto até definição sobre eleição no estado

A disputa pelo comando do Estado do Rio de Janeiro ganhou um novo capítulo em Brasília. O presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Douglas Ruas, pediu ao Supremo Tribunal Federal para assumir interinamente o governo estadual, mas encontrou resistência dentro da própria Corte.

A movimentação ocorre em meio ao impasse institucional aberto após a saída do ex-governador Cláudio Castro e à indefinição sobre como será escolhida a nova chefia do Executivo fluminense.

No recurso apresentado ao ministro Luiz Fux, a Mesa Diretora da Alerj argumenta que Ruas passou a integrar a linha sucessória do governo após sua eleição para a presidência da Casa, em abril. Com isso, sustenta que ele deveria assumir imediatamente o cargo de governador até a conclusão do julgamento no Supremo.

O pedido, porém, esbarra em outra decisão da própria Corte.

Relator de uma ação paralela sobre o tema, o ministro Cristiano Zanin reafirmou que o atual governador em exercício continua sendo o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto.

Segundo Zanin, a eleição de Douglas Ruas para a presidência da Assembleia pode produzir efeitos internos dentro do Legislativo, mas não altera a decisão já tomada pelo Supremo sobre a condução provisória do governo estadual.

Na prática, o magistrado manteve o entendimento de que Ricardo Couto permanece no cargo até que o STF conclua o julgamento sobre a sucessão no Rio.

O impasse tem origem na dupla vacância ocorrida este ano. Cláudio Castro deixou o governo em março, enquanto o então vice-governador, Thiago Pampolha, já havia deixado o posto anteriormente.

A partir daí, abriu-se uma disputa jurídica sobre qual caminho o estado deve seguir.

Uma das ações, relatada por Luiz Fux, discute a constitucionalidade da lei aprovada pela Alerj que prevê eleição indireta, realizada pelos deputados estaduais.

Outra, sob relatoria de Cristiano Zanin, foi apresentada pelo PSD e defende a realização de eleição direta para o mandato-tampão.

O partido é comandado no estado pelo ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes, que acompanha de perto os desdobramentos da disputa.

Na decisão mais recente, Zanin destacou que a permanência de Ricardo Couto não decorre de decisão individual, mas de entendimento já consolidado pelo plenário do Supremo durante a análise do caso.

O ministro também observou que a própria eleição de Douglas Ruas para a presidência da Assembleia é alvo de questionamento judicial.

O PDT protocolou ação no STF pedindo a anulação da eleição da Mesa Diretora da Alerj, alegando irregularidades na votação e mudanças regimentais adotadas durante o processo. O caso ainda aguarda distribuição a um relator.

Nos bastidores políticos, a disputa pelo comando do estado ganhou ainda mais relevância após a publicação do acórdão do Tribunal Superior Eleitoral que confirmou a condenação de Cláudio Castro.

A divulgação do documento reabriu a expectativa de retomada do julgamento sobre a sucessão fluminense no Supremo, especialmente após o ministro Flávio Dino indicar que pretende devolver o tema ao plenário após a formalização da decisão do TSE.

Enquanto o Supremo não define se o Rio terá eleição direta ou indireta, a situação permanece congelada: Ricardo Couto segue no Palácio Guanabara, Douglas Ruas tenta ampliar seu espaço institucional e os partidos intensificam as articulações para uma das disputas mais sensíveis do cenário político fluminense.

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