A Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj) anunciou que vai cumprir a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que manteve o afastamento e a prisão do deputado estadual de Campos dos Goytacazes, Thiago Rangel (AVANTE).
Preso pela Polícia Federal (PF) no último dia 5 de maio, como parte da 4ª fase da Operação Unha e Carne, ele é acusado de participar de um esquema de fraudes ligado a obras da Secretaria Estadual de Educação no Norte Fluminense.
Na última quinta-feira, 7, uma decisão unânime da 1ª Turma do STF manteve o afastamento e a prisão do deputado, afastando a possibilidade de imunidade parlamentar e impedindo que a Alerj pudesse votar pela soltura.
Na decisão, o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, que decidiu pela prisão preventiva de Thiago Rangel, argumenta ainda que 12 de 13 prisões de deputados estaduais foram rejeitadas pelo Legislativos, sendo 8 delas no Estado do Rio.
“A Mesa Diretora vai cumprir na íntegra as determinações do STF. O parlamentar está afastado de suas funções e seu gabinete será destituído. O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Alerj abrirá um processo disciplinar para apurar o caso”, informou a Alerj.
O suplente que ocupará a vaga é Wellington Barcellos (UNIÃO), que já foi deputado entre 2021 e 2022, e que disputou o pleito de 2022 pelo Podemos, mas atualmente está no União Brasil, e que coleciona postagens nas redes sociais em 2025 em apoio o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (UNIÃO), também preso.
Comprovando a tese do STF, em dezembro do ano passado, a Alerj tentou derrubar a prisão de Rodrigo Bacellar, também de Campos dos Goytacazes, e apontado como líder da organização criminosa investigada pela Operação Unha e Carne.
Na época, ele foi preso como suspeito de vazar dados sobre a operação que investigava o também deputado estadual TH Jóias (MDB), e depois foi preso novamente em março desse ano, depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou seu mandato, por envolvimento com o chamado escândalo do Centro Estadual de Estatística, Pesquisa e Formação de Servidores Públicos do Estado do Rio (CEPERJ).
O nome de Thiago Rangel teria aparecido nas investigações da Polícia Federal, inclusive, em uma planilha encontrada no computador pessoal de Rodrigo Bacellar, nomeado como “Pedidos em 12-04-23”, que trazia nomes de deputados estaduais.
Nele, os nomes dos parlamentares estariam acompanhados de campos denominados “o que tem” e “o que está pedindo”, uma referência, segundo a PF, à indicação e ocupação de cargos em órgãos públicos estaduais considerados estratégicos.
“As apurações revelaram um possível esquema de direcionamento das contratações realizadas por escolas estaduais para empresas previamente selecionadas e vinculadas à organização criminosa investigada”, disse a PF, na época.



