Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj) e pré-candidato a governador, o deputado estadual Douglas Ruas (PL) anunciou mudanças para as presidências das comissões permanentes da Casa.
De acordo com ele, as vagas serão distribuídas de acordo com a representação partidária no Legislativo, o que deve retirar todos os 5 deputados estaduais do PSOL das presidências que ocupam atualmente.
“Eles disseram explicitamente que o PSOL vinha fazendo enfrentamentos ao PL e à direita, gerando desgastes. Estão tentando nos silenciar e nos perseguir”, afirmou o deputado estadual Flávio Serafini (PSOL), que preside a Comissão de Servidores Públicos, e deve ser substituído pelo deputado estadual Renan Jordy (PL).
Além de Serafini, devem perder os cargos nas comissões ainda as deputadas Renata Souza (PSOL), na Comissão dos Direitos da Mulher, e Dani Monteiro (PSOL), na Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania.
Em seus lugares, devem assumir, respectivamente os deputados Sarah Poncio (SOLIDARIEDADE) e Alexandre Knoploch (PL), segundo informações apuradas pela jornalista Gabriele Maia, do portal Tempo Real.
Outros que também devem deixar as presidências são Professor Josemar (PSOL), na Comissão de Combate às Discriminações e Preconceitos, e Yuri Moura (PSOL), na Comissão de Legislação Participativa.
Em nota enviada ao portal Brasil de Fato, a Alerj teria se limitado a informar que as “modificações nas composições das comissões e demais colegiados são oficializadas somente após publicação no Diário Oficial”.
“Essa retirada da Presidência da Comissão da Mulher ocorre em circunstâncias muito graves, porque foi anunciado que o posto será assumido por alguém do campo bolsonarista. Foi esse mesmo campo que engavetou meu pedido de instalação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Feminicídio, mesmo diante das estatísticas alarmantes e da coleta das assinaturas necessárias. Essa medida representa uma notória retaliação a uma atuação consistente, intensa e extremamente incômoda para a extrema direita”, declarou Renata Souza, líder da bancada do PSOL na Alerj, ao Brasil de Fato.
O portal lembra ainda que Renata Souza protocolou, na última terça-feira, 9, uma representação contra o deputado estadual Rodrigo Amorim (PL) por violência política de gênero na Alerj, caso que está sendo investigado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que negou ao deputado um pedido para interromper a investigação.
Nos bastidores da política fluminense, a retirada das presidências das comissões da Alerj das mãos do PSOL também teria relação com as investigações envolvendo a relação entre o ex-governador do Rio, Cláudio Castro (PL), e Daniel Vorcaro, no Banco Master.
Em discurso na Alerj após a decisão de Douglas Ruas, o próprio Flávio Serafini falou sobre o caso, lembrando o pedido de CPI do Master, para apurar denúncias sobre os escândalos envolvendo o Banco Master, o CredCesta e o superendividamento de servidores públicos estaduais.
“É Golpe! Querem barrar a CPI do Banco Master e calar quem denunciou o esquema. Depois de meses investigando os bilhões queimados do RioPrevidência e da Cedae, denunciando os juros extorsivos do CredCesta e enfrentando o endividamento cruel imposto a servidores e aposentados, estamos perseguição política. A presidência da Alerj e a tropa de Cláudio Castro querem tirar das mãos do PSOL as comissões de Servidores, Mulheres e Direitos Humanos, em clara retaliação ao nosso trabalho”, denunciou Serafini.




